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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Karate Jikkun - Os "Dez Preceitos do Karate"

O texto original em japonês para 唐手十訓 (que se lê Tōde Jikkun ou Karate Jikkun, significando os "Dez Preceitos do Karate") foi escrito pelo mestre Itosu Ankō (糸洲 安恒) em outubro de 1908. Trata-se de uma carta histórica enviada aos Ministérios da Guerra e da Educação do Japão para introduzir o karate nas escolas de Okinawa.

Abaixo está o texto original escrito no estilo da época (japonês clássico/formal com forte uso de kanji).

唐手は本来儒仏道の盛なるより発起せしものに非ず。往古、唐(中国)より伝来せしと云い伝えられ、随って至極の教理を究むるは、容易の業に非ずと雖も、要するに其の大意を察するに、

一、唐手は教育の用に供するのみならず、忠君愛国、即ち国家の為、一朝事ある時は身を挺して義務を尽くすの幹に供すべきものなれば、決して一人の敵と戦うの目的に非ず。自ら、賊人に遇うとも、なるべく避くるに努め、容易に手を出さざるを本意とす。

一、唐手は筋骨を堅固にし、身体を鉄石の如くになし、槍、矛、刀、剣等の防禦に充つるものなれば、小学校時代よりこれを練習すれば、他日、兵卒に充てられし時、諸般の運動に適し、他年、軍人の用に立つこと、言を俟たざる所なり。

一、唐手は急激に熟練し難し。牛の歩の如く、徐々に毎日一、二時間位、怠らず練習せば、十数年或いは数十年を経て、他人と異なり、体格骨髄発達し、武勇を顕わすに至るべし。

一、唐手は拳足を要所とするが故に、常々「巻藁」にて充分に突き、蹴り込み、肩を下げ、肺を開き、力を強くし、且つ、足の踏み込み、腰の落ち等、充分に工夫練習すべし。巻藁に向かっては、一手百回位、突くべきなり。

一、唐手の立ち方は、腰を真っ直ぐにし、肩を下げ、足に力を入れ、歩を踏み込み、下腹に力を集中すべし。

一、唐手の諸手の数は、多く練習し、其の手、其の手の意味を、一々口伝を受け、いかなる場合に適用すべきかを研究すべし。且つ、受ける、外す、入るの法あり、口伝多し。

一、唐手練習の際は、其の目的を定めて、健康の為の運動に供するか、或いは武的作用に供するかを、見極めて練習すべし。

一、唐手練習の時は、戦場に臨む心持ちをなして、目を怒らし、肩を下げ、体を固くし、或いは受ける、或いは突く、実際の敵に対抗する如く練習せば、自ら熟練早し。

一、唐手は体量の多寡、体格の大小に応じ、各自、手の分量を定め、無理に進むべからず。無理に進めば、健康を害す。

一、唐手熟練の者は、長命なる多し。其の理由は、筋骨を発達せしめ、消化器を助け、血液の循環を佳くするが故なり。

右、小学校時代より正科として練習せしめば、必ず、全島(沖縄県)無比の勇敢なる軍人を出すに至るべし。

明治四十一年戊申十月

糸洲 安恒

Aqui está a tradução direta e precisa do texto:

O Tōde (Karate) não se originou do Confucionismo, Budismo ou Taoísmo. Diz a tradição que ele foi transmitido da China antiga e, embora aprofundar-se em seus princípios mais elevados não seja uma tarefa fácil, ao examinar seu propósito geral, observa-se o seguinte:

  1. O Tōde não serve apenas para fins educacionais, mas também para incutir a lealdade e o patriotismo, isto é, para servir ao Estado. Em caso de emergência nacional, deve servir como pilar para que a pessoa se dedique ao cumprimento do seu dever; portanto, seu objetivo jamais é combater um único inimigo. Mesmo que alguém se depare com um malfeitor, o verdadeiro espírito do Tōde consiste em se esforçar ao máximo para evitá-lo e não recorrer facilmente à violência.
  1. O Tōde fortalece os músculos e os ossos, tornando o corpo firme como o ferro e a pedra, servindo como defesa contra lanças, alabardas, espadas e punhais. Portanto, se praticado desde os tempos da escola primária, quando os jovens forem recrutados como soldados no futuro, estarão aptos para todos os tipos de exercícios e, sem sombra de dúvida, serão de grande utilidade para as forças militares nos anos seguintes.
  1. O Tōde não é algo que se domina rapidamente. É como o andar do boi: se praticado gradualmente, de uma a duas horas todos os dias sem preguiça, após uma ou várias décadas, o praticante desenvolverá um físico e uma estrutura óssea diferentes das pessoas comuns, alcançando a manifestação da bravura marcial.
  1. No Tōde, as mãos e os pés são essenciais. Por isso, deve-se treinar exaustivamente os socos e chutes no makiwara, baixando os ombros, abrindo os pulmões, aumentando a força e estudando minuciosamente o firmar dos pés e o rebaixamento do quadril. Diante do makiwara, deve-se desferir cerca de cem socos com cada mão.
  1. Na postura do Tōde, deve-se manter o quadril ereto, os ombros baixos, colocar força nas pernas, firmar o passo e concentrar a energia no baixo ventre.
  1. Quanto às diversas técnicas de mãos do Tōde, deve-se praticar exaustivamente, recebendo instruções orais sobre o significado de cada uma delas para estudar em que situações aplicá-las. Além disso, existem métodos para bloquear, esquivar e entrar (contra-atacar), os quais possuem muitos ensinamentos transmitidos oralmente.
  1. Ao praticar o Tōde, deve-se definir claramente o objetivo: discernir se o treino está sendo feito como exercício para a saúde ou para fins de aplicação marcial.
  1. Durante o treino de Tōde, deve-se manter o espírito de quem está no campo de batalha: olhos firmes (furiosos), ombros baixos e corpo firme. Seja ao bloquear, seja ao golpear, se você treinar como se estivesse enfrentando um inimigo real, o progresso será naturalmente mais rápido.
  1. A quantidade de treino no Tōde deve ser ajustada individualmente, de acordo com o peso e a estrutura física de cada um, sem forçar além do limite. Forçar excessivamente prejudicará a saúde.
  1. Aqueles que são proficientes no Tōde frequentemente desfrutam de vida longa. A razão disso é que a prática desenvolve os músculos e ossos, auxilia o sistema digestivo e melhora a circulação sanguínea.

Se as diretrizes acima forem adotadas como matéria obrigatória desde os tempos da escola primária, certamente formaremos soldados de bravura inigualável em toda a ilha (Província de Okinawa).

Outubro de 1908 (Ano 41 de Meiji, Ano do Macaco de Terra) Itosu Ankō


Shōrin (少林) e Shōrei (昭霊)

No texto exato dos Dez Preceitos (唐手十訓), os termos Shōrin (少林) e Shōrei (昭霊) não aparecem.

Essa confusão é extremamente comum porque os termos aparecem em outro documento escrito quase na mesma época e frequentemente ensinado junto com os preceitos de Itosu.

Onde os termos Shōrin e Shōrei realmente aparecem?

Eles estão no início de um manuscrito clássico chamado "As Duas Escolas do Karate", cuja autoria ou registro também é fortemente associado ao mestre Itosu Ankō e aos historiadores de Okinawa daquela era. O texto diz exatamente o seguinte:

「唐手は、昭霊流と少林流の二派に分かれ…」

(Karate wa, Shōrei-ryu to Shōrin-ryu no ni-ha ni wakare…)

"O Karate se divide em duas escolas: Shōrei-ryu e Shōrin-ryu..."

Por que as pessoas acham que está nos Dez Preceitos?

Como a carta de 1908 de Itosu e a definição das duas escolas (Shōrin/Shōrei) são os dois pilares que explicam a transição do Karate antigo (Tōde) para o Karate moderno nas escolas, a literatura marcial (especialmente no Ocidente) costuma publicar os dois textos juntos, no mesmo capítulo ou na mesma página. Com o tempo, as pessoas passaram a acreditar que a divisão entre Shōrin e Shōrei era um dos dez itens da carta.

Mas, se analisarmos a carta original de 1908 linha por linha, o mestre Itosu focou estritamente nos benefícios físicos, militares e educacionais da prática, sem segregar o Karate nessas duas vertentes ali.

Aqui está o texto original japonês clássico que descreve as duas escolas, frequentemente atribuído às notas de ensinamento e registros da época de Itosu Ankō, detalhando a diferença entre Shōrin-ryu e Shōrei-ryu.

Texto Original em Japonês

唐手は、昭霊流と少林流の二派に分かれ、いずれも特長を有する。

昭霊流は、 骨肉の逞しい者に適し、動作はやや重々しいが、呼吸を整え、力を集中し、身体を鉄石のごとく堅固にするを主とする。これによれば、いかなる強敵の打撃にも耐え、またこれを圧倒するの威力を生ず。

少林流は、 身体の軽快な者に適し、敏捷なる動作、俊敏なる進退、電光石火のごとき攻防を主とする。これによれば、変幻自在に敵の裏をかき、速さをもって制するの妙を得る。

されば、修行者は自己の体質、体格を鑑み、いずれの一派を専攻するか、あるいは双方の長所を調和して折衷するかを、深く研究すべし。

Aqui está a tradução direta e precisa do texto:

O Karate divide-se em duas escolas, Shōrei-ryu e Shōrin-ryu, e ambas possuem suas próprias características.

A escola Shōrei é adequada para aqueles de físico robusto e forte; seus movimentos são um tanto pesados, mas foca em regular a respiração, concentrar a força e tornar o corpo firme como o ferro e a pedra. Através dela, desenvolve-se o poder de resistir aos golpes de qualquer inimigo forte e de sobrepujá-lo com autoridade. 

A escola Shōrin é adequada para aqueles de corpo leve e ágil; foca em movimentos velozes, avanços e recuos rápidos, e uma defesa e ataque rápidos como um relâmpago. Através dela, obtém-se a maestria de frustrar o inimigo com movimentos imprevisíveis e dominá-lo através da velocidade. 

Portanto, o praticante deve examinar sua própria constituição física e estrutura para estudar profundamente qual das escolas focar, ou se deve harmonizar e fundir as virtudes de ambas.

Ōyō , autilização prática das técnicas

Ōyō (応用, Ōyō ) — lit. “aplicação” , “emprego” , “uso prático” ou “adaptação” . Nas artes marciais japonesas, refere-se à utilização prátic...